terça-feira, 30 de março de 2010

Um anos depois, europeus criticam alarde da OMS sobre a gripe suína

Medo, pânico e centenas de milhares de vacinas encalhadas. Este foi o saldo real do alarde feito pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em torno da gripe suina, que depois virou gripe A, causada pelo vírus H1N1.

Cerca de um ano depois, o alarde feito pela OMS foi considerado exagerado pelo Conselho da Europa. Por causa dele muita gente passou a usar máscaras protetoras, adiou viagens ou a procurar as emergência por causa de um simples resfriado.

Em função das críticas, a OMS anunciou que irá revisar sua metodologia e o uso da palavra "pandemia" em crise que estão por vir. Seja como for, técnicos da OMS recomendaram que o Brasil mantenha o programa de vacinação.

"A OMS colocou em risco a credibilidade de entidades internacionais ao exagerar em seu alerta sobre a gripe suína", afirmam deputados no Conselho da Europa. O relatório, elaborado após três meses de investigações, aponta que essa perda de credibilidade põe em risco milhares de vidas. 

Relator do documento, o deputado trabalhista britânico Paul Flynn, vice-presidente do comitê de saúde do
conselho, afirma que “quando a próxima pandemia aparecer, muitos não darão credibilidade às recomendações da OMS. Eles se recusarão a ser vacinados e colocarão suas vidas e de outros a risco”.
 
Flynn lembra que a estimativa oficial da OMS era de até 65 mil mortes apenas na Grã-Bretanha. Um ano depois, foram apenas 360. No mundo, 17 mil morreram pela gripe em um ano.

O Conselho Europeu acusa a OMS de falta de transparência em relação à decisão de decretar a pandemia e alerta que  os especialistas que tomaram a decisão poderiam estar sob influência das empresas de medicamentos. Diante das críticas,  o chefe da divisão de influenza da OMS, Keiji Fukuda, voltou a defender a decisão da entidade de decretar a pandemia. Ele também anunciou que a revisão das regras para futuras declarações de pandemia começa a ser revista a partir da semana que vem.

Para a OMS, o único critério para decretar a pandemia é o de que um vírus tenha uma disseminação em mais de dois continentes de forma sustentável. Esse foi o caso do H1N1. O que ninguém previa é que o vírus não seria tão severo. O resultado foi centenas de milhares de doses de vacinas encalhadas.

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