segunda-feira, 26 de abril de 2010

Artigo: Falar sobre sexo no ensino fundamental não é cedo demais

                                    

Neste artigo o médico Yechiel Moises Chencinski comenta que até a década passada, a aula de educação sexual nas escolas para alunos acima de 14 anos era uma evolução da sociedade e da educação formal dos adolescentes.

"Mas essa realidade mudou, (e muito) em pouco tempo e cabe a todos refletir como fazer, o que falar, como agir para que essa criança seja orientada adequadamente a partir dos 8 anos.

Os números assustam:

- Desde o primeiro caso de AIDS no Brasil (1982) até a mais recente publicação do boletim epidemiológico das DST/AIDS (Brasil, 2007) houve um aumento da infecção na faixa etária entre 13 e 24 anos (54.965 casos - 10.337 entre 13 e 19 anos e 44.628 entre de 20 e 24 anos);

- Apesar de raro, o Hospital Pérola Byngton (em São Paulo) tem registro de dois casos por ano de câncer de mama, entre adolescentes, na faixa etária entre 13 e 16 anos;

- Pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 2006) mostra que a única faixa etária que apresentou aumento da fecundidade foi a de 15 a 17 anos (6,9% em 1996, para 7,6%, em 2006). Nordeste – aumento de 1,2%; Sul – aumento de 0,9%; Sudeste - menor proporção de adolescentes com filhos (5,6%), metade do percentual da região Norte (11,2%). Pesquisa de Registro Civil do IBGE- 2007 mostrou queda na gravidez de adolescentes de 15 a 19 anos - de 20,5% em 2006 para 20,1% em 2007. Assim, em cada cinco gestantes, uma é menor de 20 anos;

- Segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), 30% das mulheres sexualmente ativas carregam o vírus de HPV. Entre as adolescentes, esse número sobe para 50%.

De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (de 1990), em seu artigo 2º, considera-se criança, a pessoa até 12 anos de idade incompletos, e adolescentes entre 12 e 18 anos de idade. Já o conceito de puberdade, caracterizado pela presença de caracteres sexuais secundários compatíveis com determinados parâmetros (escala de Tanner), que em 1990 acompanhava o padrão da adolescência, vem apresentando, nos últimos 20 anos, uma antecipação importante.

Hoje, considera-se a puberdade precoce em meninas antes dos 8 anos de idade (até 9 anos é normal) ou em meninos antes dos 9 anos (até 10 anos é normal). Sendo que em 95% das mulheres o desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários ocorre entre 8,5 e 13 anos.

Cada vez mais, temos doenças de adultos aparecendo em crianças (obesidade, diabetes, hipertensão e alterações de colesterol e triglicérides). Esse assunto começa a gerar uma conscientização para uma mudança de comportamento (ainda não tão eficaz quanto o desejado), provocada pela antecipação de situações que antes só víamos mais tardiamente.

Nossas crianças estão amadurecendo física e hormonalmente sem um suporte educacional, psicológico e até familiar adequado que permita que elas não "adoeçam" precocemente.

E essas "doenças" (gravidez na adolescência, HPV, câncer de mama, entre outras) trazem consigo, não só conseqüências individuais, mas carregam problemas sociais importantes, já comprovados por estudos como abandono precoce de escola (25% temporariamente e 17,5% de forma definitiva), risco de desemprego (70% - segundo a Fundação Oswaldo Cruz), mudança social, riscos de morte (parto e abortamento provocado em adolescentes) e de câncer (mama e colo de útero)".

Leia a segunda parte no próximo post.

0 comentários: